domingo, 28 de fevereiro de 2016

Tão únicos são os outros. Somos nós. E tão iguais. As mesmas dores, os mesmos medos, os mesmos anseios. Uns desejam hoje, outros, amanhã. Mas é o mesmo desejo a nos trazer o sonho de tornarem-se um dia. Os corpos. Também os mesmos. Gordos, magros, peludos, lisos, infantis, envelhecidos. Os mesmos. Todos, ao seu modo, oferecendo seu outro. Querendo ser um outro que será o mesmo a desejar ser outro. Tudo uma repetição. Os dias. Uma repetição. Casa, trabalho, família, eventos sociais. Os mesmos. As mesmas companhias. Os sorrisos. Os beijos. As conversas que não chegarão a lugar algum. As curiosidades falsas para apagar o silêncio. As respostas que nos parecem novas, mas não são. Não são nada. São as mesmas respostas de ontem ou de um ano atrás. E, novamente, os sorrisos. Agora risadas sem graça para demonstrar possível interesse por um ser que poderia ser alguém se não fosse ninguém. Não é nada. É só sexo. Todo esse jogo e tempo perdido por sexo. Sexo vazio. Carícias artificiais. Beijos. Mais beijos que não dizem nada. Nem desejo. É só sexo. Ao abrir os olhos, nada. Ninguém. Um sexo sozinho acompanhado. Não telefone no dia seguinte. Ele não lembrará do seu nome, do seu corpo, do seu cheiro. A lembrança é o gozo que, em memória, não passou de um suspiro. Nada. Sempre um eu sozinho.

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