domingo, 28 de fevereiro de 2016
Ele era baixo. Calvo. Parecia cansado. Não eram os anos, mas as memórias. Não tinha muitas e, as que tinha, não pareciam dele. Naquele dia, como de costume, acordou ao tocar do despertador. Seis horas. Abriu os olhos, sentou-se, encostou os pés no solo frio, reclamou alguma coisa em baixa voz e, assim, deu início a mais um dia de existência. Banho, roupa, café. E partiu ao trabalho, aquele, o mesmo de quinze anos atrás. Fez o que sabia fazer. E o dia continuou como continuaram tantos outros dias. Reuniões, almoços, leituras, sites de notícia, solidão. Nada que não pudesse suportar. Vivia do desejo não realizado, da felicidade não alcançada, dos sonhos não imaginados. Vivia de suas imagens da infância, da saudade do amor, das canções que sua mãe cantava baixinho enquanto passava com ferro quente seu uniforme de escola.
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