domingo, 28 de fevereiro de 2016
Comecei a amar antes de pensar sobre o amor. Não era um corpo, o que eu amava. Ou uma inteligência. Era ele, o próprio substantivo do verbo. Eu era pequena. Tão pequena que, para o outro, o amor me seria impossível. Facilmente confundido pela pura e legítima necessidade do afeto. Mas aquela que era eu, começou a entender o amor pelas histórias que lhe eram contadas minutos antes de dormir. Era o amor que lhe era contato. As histórias, muitas delas, eram de príncipes e princesas. E o final era feliz. O amor, ali, acontecia como acontece qualquer evento que nos escapa. Era um terremoto, uma enchente, a chegada de uma estação. Bastava, para isto, duas pessoas e a certeza de que eram feitos um para o outro. As histórias acabavam quando, enfim, encontravam-se. Elas não contavam o que vinha depois. Contavam que o amor existia. Que o amor era possível. Que era fácil. Mas não contavam o que vinha depois. E não contavam, também, que um dia ele poderia acabar. E foi neste amor que acreditei quando era pequena. Foi este amor que me ensinou a amar. Errado. Porque, ainda hoje, me pego sonhando acordada, acreditando que qualquer amor é possível, que qualquer pessoa se ama, bastando, para isto, o desejo do amor.
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