domingo, 28 de fevereiro de 2016

A vista de um canudo

Fragmento de paisagem, circular. Um pedaço de árvore. Primeiro, o verde da folha, depois, o caule. Caule, caule e a areia. Paisagem interrompida pela impaciência da vista monocular. Agora, a árvore inteira plantada na praia. E o mar. Ah, o mar! Ele não cabe no canudo. Azul, azul, azul. Não há parte. Cada parte é um inteiro azul. Cada porção é ele todo. Miro, como miravam os descobridores desta terra esquecida. Azul. Em cima, embaixo, pelos lados. Abundância. Como medir o infinito em cinco milímetros de diâmetro? Circular. Uma bola azul. Uma cápsula. Invólucro plástico. Remédio que bebo com os olhos para sair do lugar, para esquecer-me, para ser o criador daquilo que vejo.

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