Eram namorados, ele e ela. E não eram mais crianças. Já conheciam a dor do amor, a solidão, as mentiras, a desilusão. Estavam juntos porque se amavam. Porque o desejo da companhia um do outro era uma necessidade. Porque tinham planos e queriam realiza-los juntos. E, ano após ano, os planos, pouco a pouco, aconteciam. Mas a vida às vezes atropela a gente. E, para eles, deu aquilo que muitos chamam de “presente”. Um filho. Não era ainda um filho. Era um sopro de vida. Uma possibilidade de um ser futuro. Uma mistura dos dois no ventre dela. Isto não estava nos planos. Mas os planos mudam. Às vezes. Para ele mudou. Para ela não. Ela não era mãe. Não queria ser mãe. E não seria. Não agora. E não ser mãe era uma decisão tomada.
Disseram, para ela, que mãe é quem cria. Mas, depois de parir, seria possível esquecer aquela criatura que ela não conseguia definir como outra coisa que não seu filho?
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