domingo, 13 de março de 2016

Hoje, não há mundo para mim. Eu poderia estar em qualquer lugar, mas eu estaria sempre aqui.

Acordei com um aperto no peito, uma tristeza, um medo estranho do amanhã. Acordei me sentindo uma estrangeira no meu país, uma solitária, uma louca. Lá fora, as buzinas e foguetes me chegam como toque de recolher. Sou uma prisioneira numa prisão de sonhos e raiva. Hoje não é um dia para se expor, me aconselharam. Mas eu preciso me expor. Mesmo que me xinguem. Mesmo que eu apanhe. Em um pequeno gesto de resistência, vesti-me de vermelho, prendi minha bandeirinha do partido na janela no carro, e saí às ruas. Ali, sozinha, indefesa, senti um estranho desejo de luta. Não simbólica. Uma luta física, corporal, selvagem. Um desejo, desnecessário porem sincero, de estar num ringue onde eu, magricela, cairia no primeiro round. O desejo não seria pela vitória. Seria pelo prazer ignóbil de olhar nos olhos de meu adversário e sentir, naquele instante, o ódio que eu, com palavras, não poderia descrever. Não há um rosto a ser encarado. Há um contexto, uma história, uma massa caótica de inversão. E eu desejaria estar ali, diante desta criatura disforme, sentindo em mim toda a raiva necessária para não temer a morte, mesmo sabendo que seria este o meu fim.

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