quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
Não sei mais quem eu sou. Às vezes, penso que sou você. Comemos a mesma comida, vestimos as mesmas roupas, falamos a mesma língua, dormimos na mesma cama. Você me admira. E, quanto mais distante estou daquilo que eu poderia ser, mais você me admira. Porque, para você, ser alguém, é ser uma invenção sua. Sou a sua história. A história que você conta de mim. E comigo você brinca como brinca com os meus irmãos, com os meus filhos, com os meus pais. Sou a sua história. A história que você recorta de uma outra história que você finge não ver. Tem lixo. Tem seio. Tem criança pelada brincando de bola. Tem sol sem cara de deus. Tem graça vestida de mato. Tem palavra de gente. Uma gente que não precisa de você. Então você se transveste para ser essa gente. Mas não há tinta que tinja o seu anseio de transvestir o meu mundo no sonho que você sonhou quando acreditava que o possível só cabia em seu próprio desejo.
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